14/09/2013

velas-flutuantes

13 de Setembro 2013

Devíamos ter saído de casa às 10 da manhã, saímos ao meio-dia. Eu, de papel e caneta na mão, revia a minha lista, confirmando que nada seria deixado para trás, pois nada podia ser deixado para trás.
À porta do meu prédio estavam dois carros, o nosso e o do meu tio. Tinham os dois o porta-bagagens cheio e milimetricamente organizado para não se estragar\partir nada pelo caminho. Dei quatro voltas à chave na porta e seguimos, rumo ao Algarve, mais precisamente ao Carvoeiro.
Já éramos três carros quando apanhámos o IC19: os meus sogros iam atrás de nós. Parámos numa estação de serviço já no Alentejo e tornámo-nos cinco carros rumo ao mesmo destino.
Descobrimos o nosso pequeno cantinho do paraíso em 2011, numas mini-férias (de Inverno), e soubemos no mesmo instante que, se algum dia tivesse que acontecer, seria ali que iria acontecer.
Pelo caminho, pensava orgulhosamente em como me tinha saído bem, modéstia à parte. Consegui organizar tudo com calma e serenidade à distância de um clique. Foram tantos os e-mails trocados… enquanto estava em formação em Milão e já a trabalhar em Lisboa. Ao todo, em dez meses fizemos três visitas rápidas ao Algarve para acertar pormenores e estávamos cheios de expectativas para esse fim de semana, que finalmente chegara. Uma coisa era certa… ia ser o espelho da nossa personalidade: easy going.
Chegados ao resort, tínhamos ainda algumas pequenas coisas a acertar no centro da vila. Depois disso, todas as burocracias ficariam tratadas. Voltámos ao resort, mais amigos e familiares tinham chegado, a maior parte ia mesmo passar o fim-de-semana connosco. Seguiu-se um jantar num restaurante (mesmo) italiano ali perto e um cocktail à beira da piscina do resort, enquanto esperávamos os amigos perdidos pelas estradas algarvias. As primas, tias, amigas e irmãs ajudavam nos centros de mesa. Entre conversas e gargalhadas ao luar, íamos cortando e colando as frases e imagens do Love Is, enquanto os homens…bem, digamos que estavam entretidos no bar do resort.

14 de Setembro 2013
Nunca me hei de esquecer do que senti ao acordar. Eram 7:30 da manhã, acordei sem despertador e com um ligeiro nó no estômago. Estava a chover. Dizem que casamento molhado é casamento abençoado. Pode ser verdade, mas eu dispensava. Tínhamos um plano B caso isso acontecesse, mas eu queria era o plano A. Fomos tomar o pequeno-almoço, estava a chover a potes, e aí, sim, o pânico começou a instalar-se. O meu pai e o meu tio levaram-nos ao cabeleireiro, a mim, à minha irmã, à minha prima e à minha madrinha… Continuava a chover. Enquanto me penteavam e maquilhavam, o meu coração não acalmava. Até que, de repente, uns minutos antes de sair do cabeleireiro, parou de chover e uma claridade tímida começou a surgir entre as nuvens. Olhei para o céu, o meu rosto aqueceu com os raios de sol e sorri. Sabia que tinha sido ela.
Do meu apartamento, enquanto tirava fotos e ajeitava os últimos pormenores, conseguia ouvir os convidados lá fora que conviviam ao som da música Ponto de Luz, Sara Tavares.
Eram 16:30 quando percorri o jardim até ao local da cerimónia civil, de braço dado com o meu pai. O meu coração batia acelerado e 1001 sentimentos assolavam-me a alma. A cerimónia foi rápida (ainda bem!) e seguiu-se um cocktail ao som de saxofone, um dos meus instrumentos preferidos.
A entrada para o copo de água foi simples e rápida, ao som do L.O.V.E, não havia coreografias ensaiadas, surpresas para os convidados, nem nada que se parecesse. Houve um transparecer sincero da nossa felicidade e gratidão por termos ali os nossos entes mais queridos, que embarcaram connosco nesta viagem e comemoraram aquele dia tão especial ao nosso lado (e tão longe).
O copo de água foi perto da piscina. As dez mesas redondas estavam montadas em tons de madeira, branco e verde. Em cada prato um brigadeiro (de champagne) embrulhado em tons de verde. Os centros de mesa eram uns lindos arranjos florais de jarros com pérolas, acompanhados por mini-cavaletes com uma imagem e frase do «Love is…» e por umas pequenas velas verdes acesas.
Na piscina flutuavam velas em forma de flores coloridas que tornaram o ambiente perfeito para o início da noite: simples e romântico. No chão estavam algumas lanternas de papel com velas e o jantar foi todo ao som da minha cantora favorita, a Sade.
O corte do bolo (torto) foi ao som do «That’s Amore» e este espelhava as cores do casamento: branco e verde.
Seguiu-se uma pista de dança improvisada, tantas gargalhadas, choros de felicidade, algumas bebedeiras, um mergulho na piscina, fatos molhados (e talvez estragados) e uma ceia.
Hoje, cinco anos depois, recordo com carinho cada minuto. Se pudesse, voltaria a este dia sem hesitar e faria tudo igual. Foi sem dúvida o fim de semana mais bonito da minha vida.
E hoje, cinco anos depois, só tenho de agradecer.

Há 13 anos que nos conhecemos, há 11 que namoramos, há 7 que moramos juntos, há 5 que somos casados e há 1 ano e meio que somos pais!
Obrigada por tornares tão especial esta minha caminhada na viagem chamada vida!

decoracao-casamento

Love
C

2 Replies to “14/09/2013”

    1. Claudia Oliveira says: Responder

      Eheh muito obrigada! Um beijinho e obrigada pelo comentário 🙂

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