36 horas em Capri

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Diz a lenda que…”há muito tempo, vivia em Nápoles um jovem de nome Vesúvio. Este apaixonou-se perdidamente por uma ninfa. Após algum tempo a fazer-lhe a corte, o amor tornou-se finalmente recíproco e os dois amantes passavam os dias a passear pela praia, trocando juras de amor eterno. Um dia, discutiram. Os pais dela exigiram o fim do namoro e levaram-na para um lugar secreto e remoto. A distância acabou por fortalecer o amor entre os dois. Não aguentando mais o sofrimento, um dia a jovem entrou mar adentro num pequeno barco à vela e deixou-se abraçar pelas ondas do mar até desaparecer. Perante tamanha tragédia, os deuses dos mares decidiram oferecer-lhe uma nova forma de vida que a pudesse tornar imortal: a sua alma foi transformada em pedra e assim nasceu a ilha de Capri. A notícia da morte chegou aos ouvidos do jovem Vesúvio que, entre a raiva e o sofrimento, acabou por enlouquecer. Ele também acabou por petrificar, e a ira que carregava no ventre transformou-se em lava. Só a visão da sua amada Capri é que lhe dava alguma paz. Quando a via de longe, o seu coração acalmava e dizia: “Quanto é bela a minha rainha de pedra, quanto é bela a minha Capri”.
Esta é só uma das lendas que nos explica a curiosa forma da ilha de Capri. Vista de longe, parece uma mulher deitada. Capri é uma ilha lindíssima, só tem um grande problema: é extremamente turística, o que a torna muito cara.
Não há como explicar o primeiro impacto que Capri deixa na nossa memória, quando ainda nem sequer saímos do barco (foto em baixo). As ruas estreitas, os cenários campestres, rurais, idílicos, a água quente e cristalina, os campos de limoeiros e as vistas de cortar a respiração fazem de Capri um dos principais destinos de férias no Sul da Itália.
Não há uma altura boa para visitar Capri porque está sempre apinhadinha de gente, mas em Abril, Maio, Setembro e Outubro a ilha está menos lotada e conseguem apanhar menos pessoas, bom tempo e até ir à praia 😉
O meu fim de semana em Capri foi muito especial e cansativo. Fomos em família, vieram connosco os meus primos de Nápoles, a minha irmã, a minha cunhada e a minha bff, amiga para a vida, irmã de outros pais M, que vieram de propósito de Lisboa para passarem o fim de semana do meu aniversário comigo e para conhecerem a minha cidade, claro!
Deixo-vos algumas dicas sobre esta ilha maravilhosa, que consegue ser bem explorada em 2 dias, pois a ilha tem apenas cerca de 10 Km2.
Como chegar
Barco. De Nápoles ou Sorrento (Costa Amalfitana). De Nápoles, há dois tipos de barcos que saem para Capri: o traghetto (mais lento) e o aliscafo (mais rápido). Existem dois portos em Nápoles, a Calata Porta di Massa, onde se apanham os barcos mais lentos, e o Molo Beverello, onde se apanham os rápidos.
Caso haja mau tempo, as viagens de aliscafo são suprimidas e o traghetto torna-se a única opção de chegar à ilha. O traghetto é também o único barco que leva veículos motorizados. Durante a época alta, só os residentes são autorizados a levar carro\mota para Capri.
Se comprarem os bilhetes online, é extremamente importante que confirmem de onde sai o barco porque, apesar de os portos estarem praticamente lado a lado e terem um shuttle grátis que liga os passageiros de um porto ao outro, podem correr o risco de perder o barco por uma questão de minutos. Os bilhetes, para além de não serem de todo baratos, também não são reembolsáveis. Por isso, mais vale chegarem com tempo e calma.
Também é muito importante saberem que o bilhete que comprarem online não funciona como bilhete de bordo. Na sala de espera do porto, perto das bilheteiras, existem umas máquinas automáticas onde, inserindo o número do ticket, é emitido o bilhete (sem assim terem de fazer as filas na bilheteiras).
O bar do porto é caro. Se tiverem oportunidade, aproveitem as salumerias perto do Maschio Angioino para comprarem sandes para a viagem. As sandes são feitas no momento com uma série de produtos frescos à escolha. Vale mesmo muito a pena.
Também há transporte privado: taxi boat, barcos, lanchas, iates, etc
Não faço ideia quanto custam, não tenho dinheiro para isso 😉
Chegando ao porto de Capri…
…Não chegaram ao centro de Capri, mas à Marina Grande. Ainda têm mais um pequeno passo a cumprir até chegarem à famosa piazzetta. Das duas, uma: ou apanham a funicolare que demora 3 minutos a chegar ao centro e custa 2 euros por pessoa (vai apinhadinha, mas a vista a subir pelo elevador vale a pena); ou apanham o táxi, que demora cerca de 10 minutos a chegar ao centro, e cujo preço ronda os 17 euros.
Para irem para Anacapri, têm de chegar primeiro ao centro de Capri (de funicolare ou táxi) e só depois apanhar o autocarro ou táxi para Anacapri. O autocarro demora cerca de 15 minutos, depende do condutor , e o bilhete custa 2 euros, enquanto que o táxi demora cerca de 10 minutos e ronda os 20\25 euros.
Onde ficar
Airbnb é a melhor opção. Como escrevi há pouco, Capri é uma ilha muito turística e cara. A zona de Anacapri e a da marina são mais baratas. Eu nem sei bem como consegui encontrar este apartamento bem no centro de Capri a um preço bastante simpático. O apartamento era grande qb, dava para até 6 pessoas, estava muito bem decorado, com detalhes amorosos, e tinha todas as comodidades. Só não tinha wi-fi, mas isso fez com que o convívio fosse muito maior. Quanto ao ficar entre Capri, Anacapri ou Marina Grande, depende muito da finalidade da vossa viagem. Se pretendem dar primazia à praia, aconselho-vos a ficarem na Marina; se pretendem caminhar pela natureza, então escolham Anacapri; se querem ficar pelo meio termo, o centro de Capri é a melhor opção, apesar da confusão que podem encontrar.
O que fazer
Grotta Azzurra.  É das coisas que tenho mesmo imensa pena de não ter feito. Não está sempre aberta a visitas, todas as manhãs é feita uma análise pela marinha e só depois disso é que há confirmação de ser seguro ou não fazer a visita de barco. Podem ligar para a Motoscafisti di Capri, (+39) 081 83756460, a partir das 9 da manhã do próprio dia, para terem a confirmação de que a gruta está aberta ao público. O custo é de  14 euros por pessoa (10 euros pelo aluguer do barco, com skipper, e 4 euros pela entrada na gruta em si), as crianças até aos 6 anos não pagam e jovens até ao 18 anos pertencentes à União Europeia não pagam a entrada. Podem apanhar o barco na Marina Grande ou de Anacapri fazer o percurso a pé ou de autocarro até ao local onde apanham o barco. A melhor hora para fazer a visita é entre o meio-dia e as duas da tarde. Não é permitido nadar dentro da gruta.
Faro, Punta Carena. É um farol de onde se pode ver o melhor pôr-do-sol da ilha. Existem alguns bares na zona e estão abertos só durante o verão\época alta.
Seggiovia. Em Anacapri, pode fazer-se algo que TODOS os habitantes aconselham fazer: a seggiovia di Monte Solaro. Chegámos tarde e já estava fechada, mas confesso que não era algo que pretendesse fazer, visto que tenho uma piolha eléctrica e meter-me numa cadeira a andar pelo ar não me parecia de todo algo seguro de se fazer com ela ao colo. Dura cerca de 15 minutos e o bilhete custa 8 euros (só ida) ou 11 euros (ida e volta). Apesar de tudo, é algo que um dia quero experimentar, pois deve ser uma experiência memorável. Mesmo perto da entrada para a seggiovia, existe um bar com pessoal extremamente simpático. Um dos empregados esteve em Portugal alguns meses e fala português.
Faraglioni. Toda a gente que vai a Capri quer tirar uma foto aqui. É como ir a Pisa e tirar aquela foto como se estivesse a segurar a torre. Nunca percebi muito bem a graça, mas pronto… São 3 rochas, uma delas ligada a Capri. Por trás, ainda se pode avistar uma quarta rocha que se chama Scoglio del Monacone. Deve o seu nome a um tipo de focas que lá vivia até 1904, quando assassinaram o último exemplar vivo.
Villa Jovis, ou, Villa di Tiberio. O imperador Tibério decidiu fugir da caótica Roma e ir morar para Capri. Lá construiu 12 vilas mas a principal era a Villa Jovis que foi construída no século I d. C. Têm cerca de 7 mil metros quadrados. Para lá chegar, é preciso subir (muuuitooooooo!) a pé a partir da piazzetta. Levem água e evitem as horas de maior calor, pois quase não há sombra. A entrada custa 6 euros, mas nos primeiros domingos do mês é gratuita. A caminho da Villa Jovis, encontram o Parco Astarita e a Villa Lysis. Durante o percurso, podem encontrar algumas cabras.
Villa di Damecuta. Situada em Anacapri, esta é outra das vilas do imperador Tibério. Fica a meio caminho entre o centro de Anacapri e a Grotta Azzurra.
O que comer
Os pratos locais mais famosos são i ravioli alla caprese, la torta caprese e l’insalata caprese. I ravioli alla caprese é um tipo de massa recheada com caciotta, parmiggiano reggiano (2 tipos de queijo) e maggiorana (um tipo de orégãos). L’insalata caprese leva mozzarella, pomodoro (tomate) e basilico (manjericão) e a torta caprese é basicamente uma torta de chocolate com âmendoas. O limoncello, que é feito com os limões da ilha, também deve ser degustado. Os limões são, sem dúvida, uma das imagens de marca de Capri.
Sabiam que?
– O nome Anacapri vem do grego ànà que quer dizer, em cima. Ou seja, Anacapri quer dizer “em cima de Capri”. Anacapri é maior do que Capri.
– Na era paleolítica, a ilha de Capri não era uma ilha porque estava ligada a terra firme. Hoje, esta ligação ainda existe, mas está submersa pelo mar.
– Os habitantes de Capri e Anacapri não têm uma relação muito amistosa. Soube disso numa conversa interessantíssima com uma senhora de cerca de 90 anos que estava sentada ao meu lado num dos vários bancos que existem pela ilha, enquanto eu, a Tilly e os homens esperávamos que as mulheres se despachassem.

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4 Replies to “36 horas em Capri”

  1. Capri é um dos meus destinos dos sonhos e seu post me deu esperança de que viajar pra lá pode ser prático, sem muitas voltas. Adorei o post!

    1. Obrigada Michelle! Toda aquela zona é de sonho, vale mesmo a pena passar pelo menos uma semana para explorar bem as ilhas e a costa! Um grande beijinho para si e obrigada pelo comentário 🙂

  2. Claudia! Encontrei-te por aqui! Que boa surpresa. Adorei esta bela sugestão para uma viagem maravilhosa. Agora que já nao és minha team leader, vou continuar a seguir-te por aqui. Muitos beijinhos!

    1. Claudia Oliveira says: Responder

      Ehehe Verita! Pois, não é algo que partilhe aos 4 ventos apesar de adorar este cantinho eheh um beijinho grande e obrigada pelo comentário 🙂

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