A incerteza da certeza

Já andava desconfiada, mas era uma desconfiança ténue, à qual mal liguei.
Os últimos dias tinham sido muito cansativos e tinham exigido muito de mim. Costumo dizer que há duas semanas “horríveis” no escritório: a semana antes de ir de férias e a semana antes do chefe ir de férias. Agora, que penso nisso, consigo lembrar-me de mais semanas “más”: as do regresso ao trabalho depois das férias, as das avaliações anuais, as das visitas dos clientes, e por aí fora…

No meu último dia, coloquei o out of the office, desliguei o computador, não trouxe o portátil para casa (mas trouxe o telemóvel) e fui ao encontro dos meus dias de descanso mais do que merecidos e tão desejados.
Completamente desligada do trabalho, comecei a focar-me nas férias, nas malas por fazer, na tentativa de deixar a casa minimamente organizada, no que queríamos lá fazer e onde queríamos mesmo ir.

Vivi esses 15 dias como eles devem ser vividos: desligada do mundo, ligando-me às redes sociais única e exclusivamente por causa do blog, focada na família e nos momentos que ficariam gravados na nossa memória e tirando imensas fotografias para quando essa nos falhasse.
No meio da serenidade que os dias sem alarme nos trazem, lá estavas tu, meu feijãozinho, a viver esses momentos connosco sem nós sabermos da tua existência!

Confesso que a tua chegada nos apanhou de surpresa: a mim, ao teu pai, a todos. Não que não te desejássemos, um irmão seria o melhor presente que alguma vez poderíamos dar à tua irmã mais velha, e que sortudo que és por teres esta irmã à tua espera, esta miúda de sorriso fácil que tanto consegue ser um doce de menina como encarnar o espírito do diabo da Tasmânia.
Nunca tive dúvidas de que conseguia amar 2 filhos da mesma maneira, nunca pensei sequer na possibilidade de assim não ser, mas não era algo que quiséssemos para já, é um facto. Queríamos que a Tilly fosse um bocadinho maior, estávamos à espera do momento ideal, se é que existe, mas tu trocaste-nos as voltas e vieste naquele que é o momento certo para ti.

Tu, meu feijãozinho, trouxeste-me a novidade dos enjoos matinais e do mau estar durante o dia. O sentir este cansaço extremo como se já estivesse grávida de 8 meses, este desejo de querer dormir em todo o lado e a toda a hora (este talvez não seja bem uma novidade).
É no silêncio da noite que penso em todas as outras coisas que trarás, tudo o que já vivemos com a Matilde, mas que o frenesim do dia-a-dia, “mês a mês”, ano a ano” tenta fazer-nos esquecer.
O primeiro olhar, os primeiros sorrisos, os primeiros passos, as primeiras palavras (que seja mamã desta vez!), os medos e receios, as angústias, as possíveis noites sem dormir, entre tantas outras coisas.

Acabámos de entrar nas 20 semanas. Estamos agora a meio da nossa caminhada a dois, só nós os dois.
Cá fora, espera-te uma família que te ama desde o segundo em que soube da tua existência. Uma família que está mais do que preparada para a tua chegada e, se há coisa que te posso garantir, é que te irá rodear de amor e carinho.

Bem-vindo ao nosso mundo, meu feijãozinho! Não vejo a hora de te ter nos meus braços num dos melhores meses do ano…Abril 😉

Love

C

One Reply to “A incerteza da certeza”

  1. […] piores dores que senti em todo o trabalho de parto.Era real, o Tiago ia nascer às 37 semanas e, mais uma vez, apanhou-me de surpresa: que grande […]

Deixe uma resposta