Correr depois do Natal? Tá tudo doido!

Pois é, e eu faço parte do leque de doidos.

Nunca gostei de correr, era daquelas meninas que preferia chegar atrasada à escola em vez de correr para apanhar o autocarro.

 

Há cerca de 4 anos, o maridão F viu-me a fazer uma série de abdominais e disse-me:”Bebé, se queres perder a barriga também tens que correr. Podes fazer centenas de abdominais por dia e o pneu vai continuar aí”.

Depois de engolir em seco, por finalmente perceber o porquê da minha série de 100 abdominais por dia não estar a funcionar, decidi começar a pensar que, se calhar, estava na altura de correr… 5 minutos por dia, sempre era melhor que nada. Não aconteceu.

 

Até que, numa das minhas idas a Milão em trabalho, comecei a correr. Estava sozinha e depois do trabalho comecei a ir correr para o parque. Passaram-se 2 semanas, a correr todos os dias e notei realmente diferenças, e não só nos abdominais.

 

Quando voltei a Portugal deixei passar, voltei ao ginásio onde fazia tudo menos correr, as aulas de grupo chamavam por mim e correr na passadeira é uma das coisas mais chatas do planeta (para mim).

Este ano resolvi inscrever-me na corrida da mulher pelo seu cariz solidário e adorei. Não corri tudo, nem pouco mais ou menos e fiz um tempo vergonhoso mas decidi ali que, a corrida iria fazer parte da minha vida mais tarde ou mais cedo.

 

Quando me inscrevi na corrida S.Silvestre de Lisboa, em meados de Outubro, fiz um plano de treinos para me ajudar a fazer um tempo respeitável. Não treinei, não fui regularmente ao ginásio, o trabalho e alguns percalços da vida pessoal deixaram-me sem tempo, ou seja, mais uma vez, não aconteceu e mesmo assim fui.

 

O El Corte Inglés teve a BRILHANTE ideia de organizar a corrida S.Silvestre e a Black Friday no mesmo dia, logo o meu treino começou ao chegar a Lisboa, onde estacionei o carro num buraco perto do tribunal e tive que descer o parque Eduardo VII, o Marquês de Pombal e a Avenida a correr, porque já estava atrasada. 

 

Lá cheguei, encontrei-me com a M e fomos. Fiz 1:15:57, não foi dos melhores mas também não foi dos piores, a partir dos 5 kms cada km era uma vitória.

Os tornozelos gritavam por socorro, os glúteos pediam piedade, as pernas? Já nem as sentia… mas a verdade é que, mesmo com toda a dor, sorria. A minha companheira de corrida e das peripécias da vida, sorria. Estávamos felizes. Tinhamos superado as nossas expectativas, não parar antes dos 5 kms.

 

Corri 8 kms seguidos, aquela subida da av. da liberdade tramou-me, e tive que abrandar um bocado. Depois de uns minutos e ao chegar ao último km, ganhámos asas nos pés e atirámo-nos para a meta.

 

Fiz 10 kms e no final tive 5 certezas:

 

1- Quero mais

2- Tenho que comprar uns ténis de corrida como deve de ser

3- Com força de vontade tudo se consegue

4- Amanhã não me mexo

5- Não sei bem como vou voltar para o carro

 

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Love

C

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