E de repente…temos tempo!

Temos tempo para parar, tempo para abraçar, tempo para reflectir, tempo para “agir”.
Se há duas semanas me dissessem que estaria a escrever este texto hoje, eu não acreditaria. Este 2020 está a ser no mínimo desafiante!

Vivemos de mãos dadas com a incerteza do amanhã. A calma e a falsa certeza de que somos donos de nós próprios deu lugar ao medo, à ansiedade e à insegurança.

Não sou pessoa de entrar em pânico, uma das maiores qualidades que me foram sempre apontadas foi o facto de manter a calma…sempre! E é assim que tenho vivido estes dias, com calma.
Desliguei-me completamente das redes sociais; já há algum tempo (meses!) que desliguei as notificações do Facebook, Instagram e Whatsapp, pelo que não foi muito difícil. Não abri links de áudios e vídeos enviados nos grupos do Whatsapp e mantive-me informada única e exclusivamente através do que via na SIC Notícias ou do que lia no jornal Público.

Estou grávida de 33 semanas e a mentalizar-me de que vou trazer uma criança a este mundo no meio de uma epidemia mundial.
Tenho tido imenso tempo, é um facto, e confesso que tenho adorado tê-lo. Para brincar com a Matilde, que daqui a algumas semanas deixará de ser filha única, para abraçar-me mais vezes ao meu marido, para descansar mais, para me mimar mais, para me dedicar mais àquilo de que gosto e às pessoas de quem gosto.
Estar em casa nunca me fez confusão. Sou uma pessoa caseira, sempre o fui, e tenho a capacidade de arranjar sempre o que fazer para não me aborrecer.
Por aqui, multiplicam-se as videochamadas com a família e amigos, com os de Itália e com os de cá. Um aconchego ao coração que nos permite esquecer durante uns segundos o que nos foi temporariamente retirado…a liberdade.

3 semanas antes de ser declarado o #ficaremcasa, entrei de baixa. Organizei a minha agenda milimetricamente até à primeira semana de Abril. Almoços, brunches, jantares, manicure, depilação, pedicure, corte de cabelo, drenagens linfáticas, tinha marcado de tudo. Umas coisas consegui fazer, outras tive que desmarcar por tempo indeterminado…e está tudo bem!
No Instagram chovem stories com vídeos de como têm andando a ocupar o dia-a-dia em casa, e desculpem-me a franqueza não é algo em que eu esteja minimamente interessada. Estou focada em mim, no meu lar e nos meus e quero também aproveitar este tempo para “alimentar” este blog (dentro do que conseguir fazer com a Matilde em casa).

Mas não deixo de me aperceber que este enclausuramento tem tornado as pessoas mais próximas…que ironia! Viver nesta incerteza torna-nos vulneráveis, faz com que façamos um balanço da nossa vida, rever as nossas prioridades, daquilo que até hoje pensávamos ser essencial e daquilo que dávamos por garantido.

Ontem li um artigo muito interessante sobre o impacto ambiental do COVID-19. O mundo está a emitir menos 1 milhão de toneladas de CO2 por dia…repito 1 milhão de toneladas!
Que este tempo extra que nos foi abruptamente concedido nos permita perceber o impacto que esta pandemia está a ter. O pessoal, o social, o ambiental e o económico.
E que, de alguma maneira, nos permita reavaliar as nossas atitudes e escolhas para o futuro!

Fotografias tiradas em Itália. Locorotondo, Setembro 2019

Love
C

5 Replies to “E de repente…temos tempo!”

  1. Gostei muito de te reler, Cláudia, especialmente pelo tom positivo com que escreveste.
    É a atitude que precisamos todos de tentar manter perante tamanha adversidade que vivemos todos.
    Revi-me em várias coisas que referiste… Em apreciar este tempo que ganhámos, em manter a calma, e no facto de também ser caseira e não me custar nada estar em casa e ter sempre com que me ocupar e nunca ficar aborrecida. O que custa é obviamente a saber que perdemos alguma liberdade e estamos tão condicionados, mas o ser humano adapta-se…
    Que corra tudo melhor por aí, que tenhas “uma hora pequenina” e o baby venha cheio de saúde!
    Um beijinho

    1. Claudia Oliveira says: Responder

      Sofia, que bom “rever-te” por aqui! Eu tento manter sempre o pensamento positivo em qualquer situação, e esta não é excepção 🙂
      É viver um dia de cada vez na esperança que isto termine rápido e possamos voltar à rotina!

      Um grande beijinho e obrigada pelo teu comentário
      Claudia

  2. *saber que perdemos
    *tudo pelo melhor
    ;D

  3. Não me tem custado nada estar em casa até porque estou a trabalhar oito horas na mesma. O tempo que me sobra é aquele que poupo em deslocações (cerca de 2 horas) e é mesmo bom tê-ter este tempo extra para mim, para o blog, para ler, enfim para fazer coisas!
    Que as próximas semanas mantenhas essa calma de que aqui falas e que continues a mimar a Matilde neste tempo de filha única, eheh. Beijinhos

    1. Claudia Oliveira says: Responder

      E é tão bom ter esse tempo extra não é verdade? Nem que seja para estar esparramada no sofá a ver séries 😉
      Um grande beijinho Andreia e obrigada pelo teu comentário 😉

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