Ischia, a pérola do mar Tirreno

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Eu vou-vos confessar uma coisa, em que talvez já tenham reparado: não gosto de sítios muito “in“. Por iniciativa própria, nunca vou jantar a um restaurante que acabou de abrir, não anseio fazer aquele brunch de que toda a gente fala, nem tampouco gosto de ir a sítios com demasiada gente, confusão e/ou barulho.
E é por isso que as minhas escolhas quanto a destinos a visitar é sempre muito ponderada. Não gosto de destinos turísticos, nem eu nem ele, destinos que toda a gente já viu ou de que já ouviu falar. Destinos que tendem a ter muita afluência não são de todo as minhas escolhas e, quando o são, é sempre em épocas em que o turismo tende a baixar.
E foi por isso que conheci Paris tardiamente; que conheci o Lago Maggiore antes do Lago Como; que conheci Veneza em Novembro, Barcelona em Abril; que fui primeiro a Lucca e depois a Florença; e é por isso que nunca ponho os pés no Algarve em Agosto.
Falar sobre a Itália é-me extremamente fácil, pois nasci, vivi e cresci lá, tenho imensos amigos italianos, falo italiano e, volta e meia, eis que regresso ao país que me fez tão feliz, à cultura que me corre no sangue, juntamente com a cabo-verdiana. Conheço bastante bem quase todas as regiões e sei muito bem o que cada sítio desse maravilhoso país pode oferecer.
Hoje regressamos às nossas férias do ano passado e regressamos à ilha que para mim é a mais bela do Golfo de Nápoles: Ischia.
Juntamente com Capri e Procida, Ischia é uma das ilhas que fazem parte do Golfo de Nápoles. Toda a gente já ouviu falar da ilha de Capri e, inclusive, já falei sobre ela aqui. Procida (desta vez não fui) é lindíssima e vale imenso a pena visitá-la, visita essa que pode ser feita num dia porque é a menor das três.
Mas Ischia, meu caros, Ischia é a verdadeira pérola do mar Tirreno, na minha humilde opinião, e o melhor mesmo é tirar mais do que 2 dias para “absorverem” com calma tudo o que esta ilha tem para oferecer.
Dona de uma beleza estonteante e cenários idílicos, Ischia foi o local das filmagens do brilhante filme (e livro) “O Talentoso Mr. Ripley”, interpretado por Matt Damon. Famosa pelas imensas termas que se encontram espalhadas pela ilha, é conhecida como a ilha do bem-estar, sendo que imensos hotéis oferecem esse tipo de pacotes, incluindo massagens e dias inteiros nas termas.
Sem mais demoras e como já é hábito, deixo-vos algumas dicas para conhecerem a maior (e a mais linda <3) ilha do Golfo de Nápoles.

Como chegar
Barco (Pois claro!) De Nápoles, há dois tipos de barcos que saem para Ischia: o traghetto (mais lento) e o aliscafo (mais rápido). Existem dois portos em Nápoles, a Calata Porta di Massa, onde se apanham os barcos mais lentos (demoram cerca de 90 minutos) e o Molo Beverello, onde se apanham os rápidos (demoram cerca de 50 minutos), e existem três portos em Ischia: Porto, Casamicciola e Forio. Por isso, como podem ver, há muita escolha dependendo do tipo de barco que apanharem.
Caso haja mau tempo, as viagens de aliscafo são suprimidas e o traghetto torna-se a única opção de chegar à ilha. O traghetto é também o único barco que leva veículos motorizados. Entre a Páscoa e Setembro, o transporte de veículos motorizados é proibido a todos os residentes da região da Campania.
Se comprarem os bilhetes online, é extremamente importante que confirmem de onde sai o barco porque, apesar de os portos estarem praticamente lado a lado e terem um shuttle grátis que liga os passageiros de um porto ao outro, podem correr o risco de perder o barco por uma questão de minutos. Os bilhetes, para além de não serem de todo baratos, custam entre os 12 e os 22 euros por pessoa, só ida, também não são reembolsáveis. Por isso, mais vale chegarem com tempo e calma.
Também é muito importante saberem que o bilhete que comprarem online não funciona como bilhete de bordo. Na sala de espera do porto, perto das bilheteiras, existem umas máquinas automáticas onde, inserindo o número do ticket, é emitido o bilhete (sem assim terem de estar na fila para as bilheteiras).
O bar do porto é caro. Se tiverem oportunidade, aproveitem as salumerias perto do Maschio Angioino para comprarem sandes para a viagem. As sandes são feitas no momento com uma série de produtos frescos à escolha. Vale mesmo muito a pena.
Normalmente o desembarque é feito em Ischia Porto, onde param mais barcos. Ao chegar ao porto, têm o terminal dos autocarros e os táxis típicos da ilha. A maioria dos táxis são os Ape Calessino, o carro de 3 rodas da Piaggio. Caso não tenham malas pesadas e se o vosso alojamento se situar entre o Porto e o Castello Aragonese, podem ir a pé, uma caminhada de cerca de 15 minutos. Os habitantes de Ischia (incluindo os taxistas) prontificam-se a ajudar pessoas perdidas, são extremamente simpáticos, como todos os habitantes do Sul da Itália ;).

Onde ficar
Depende muito do que se quer fazer. Podem pernoitar em qualquer sítio mas o ideal é depois conhecer a ilha toda. A zona de Lacco Ameno e Sant’ Angelo são as mais tranquilas e a zona do Porto é a mais central e com mais movimento. Nós ficámos num hotel com vista para o Castello Aragonese. O hotel oferecia a possibilidade de meia-pensão a um preço muuuuito simpático, o que acabou por ser uma mais-valia. Bastante central, fizemos toda aquela zona sempre a pé e só nos deslocámos de autocarro para dar a volta à ilha. Se usarem este link para reservar qualquer alojamento à vossa escolha através do Booking, têm um desconto de 15 euros.

Como se deslocar pela ilha
A pé. Eu sou grande apologista de andar a pé, principalmente nas férias. Há lá melhor maneira de conhecer uma cidade do que perder-se pelas ruas? Nem uma bebé de 1 ano nos deteve ahaha carrinho para ela, mochila com bens essenciais e pernas para que te quero 😉
De táxi. Os táxis são muito característicos (não são confortáveis) mas uma boa conversa com os locais vale a pena. O taxista que nos levou até ao hotel contou-nos praticamente toda a história da vida dele!
De autocarro. A rede de autocarros em Ischia é a mais simples que já vi na minha vida. Se clicarem nesta imagem podem ver o mapa de Ischia. Existem duas linhas principais: a Circolare Destra-CD (circular direita) e a Circolare Sinistra-CS (circular esquerda) e, basicamente, uma dá a volta à ilha começando pela direita e a outra começando pela esquerda. Qualquer dos autocarros parte de Ischia Porto. Digam lá se há coisa mais fácil do que essa? O bilhete diário custa 3.60 euros, o de 100 minutos 1.80 euros, e o bilhete normal custa 1.20 se comprado na tabaccheria ou 1.70 se comprado no autocarro. A viagem toda dura mais ou menos uma hora e meia.
Scooter. Por favor se tiverem oportunidade, aluguem uma scooter. Nós só não o fizemos por causa da bebé.

O que comer
Ischia é barata. Consegue-se comer bem (mesmo bem!) sentados num restaurante por 10 euros por pessoa. Se escolherem pizza em vez de prato principal, ainda mais barato fica.
Os pratos típicos de Ischia são: coniglio all’ischitana, coelho estufado com tomate fresco, cebola, vinho branco, azeite e alho (a cozinha italiana, principalmente no Sul, prima pela simplicidade e pelo uso de produtos frescos), pasta e fave (massa e favas), melanzane sott’olio, que é como quem diz a 8ª maravilha do mundo alimentar, beringelas deixadas em vinagre, alho, malagueta, oregãos e muito azeite, fechadas num recipiente de vidro durante cerca de um mês. Comer isto com pão é das melhores recordações gustativas que tenho da minha infância. E depois o peixe, claro! Podem escolher qualquer prato de peixe ou que inclua peixe, que não se vão arrepender!

Onde ir
Sant’Angelo D’Ischia. A calma e tranquilidade dessa zona de Ischia é a sua grande mais valia. Quando lá fui, fiz um vídeo no Instagram e garanto-vos que a única coisa que se ouvia no vídeo era o palrar da Matilde e o barulho do motor da Piaggio a subir a rua. Quem me segue no Instagram pode confirmar 😉
Castello Aragonese. Um castelo medieval no meio do mar ligado por uma ponte. É o maior ponto de atracção da ilha. Se forem com um bebé, não vão com o carrinho…quem avisa amigo é!
Monte Epomeo. Montanha mais alta da ilha. Tem quase 800 metros de altura e é a escolha perfeita para os amantes de trekking.
Giardini Ravino. Amantes de cactos e suculentas, vocês não podem perder este jardim. A entrada custa 10 euros por pessoa.
La Mortella. Jardim com espécies tropicais. Situa-se em Forio. Ischia é conhecida como a ilha verde, podem perceber o porquê assim que avistam a ilha do barco.
Giardini termali Poseidon. Mega termas, podem lá ficar o dia inteiro e o bilhete custa 33 euros por pessoa. Tem praia privada, piscinas termais com águas entre os 30 e os 40º, piscinas cobertas, restaurante, centro de bem-estar, etc.

E agora, digam-me lá, quantos dias vão reservar para conhecerem Ischia?

Love
C

One Reply to “Ischia, a pérola do mar Tirreno”

  1. Bem já fiquei curiosa para conhecer e depois destas dicas todas que deste aqui só resta comprar o bilhete, fazer a mala e voar para lá.
    É sempre um prazer ler-te. Beijinhos família

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