O Natal está quase à porta…

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…É a ti que eu devo todo este meu entusiasmo nesta temporada do ano. O rebuliço das compras à última hora na baixa lisboeta, perder-me entre decorações e músicas de Natal tocadas nas ruas, descascar as castanhas com as luvas calçadas tal o frio, montar e decorar a árvore obrigatoriamente no dia 8 de Dezembro, a ceia e\ou almoço de Natal em família, o serão passado no calor do lar a ver os mesmos filmes de sempre (Sozinho em casa?).

É engraçada a bipolaridade da vida. Foste tu quem me passou toda a alegria por esta época e foste tu também que a tiraste…aliás, foi a tua ausência que a tirou.

Ainda me lembro do primeiro Natal sem ti ao meu lado. Tinha 20 anos e queria à força toda passar as festividades com os tios em Nápoles. Sentia a falta de ver o fogo-de-artifício pela janela com vista
para o Vesúvio…ainda sinto! Tinha a necessidade de fazer uma ceia de Natal a comer capitone* com a família do Sul, como quando era pequena, passar pelas ruas que passava em pequena e rever as pessoas que fizeram parte da minha infância.
Tu e o pai fizeram-me a vontade, como quase sempre, e verdade seja dita não foi a mesma coisa porque algo me faltava. Faltavas tu e a tua alegria genuína, faltava o teu empenho e dedicação em tornar o nosso Natal perfeito, o teu cantarolar na cozinha enquanto preparavas o bolo inglês, o
tiramisú e todas as iguarias que gostavas de fazer, faltava ver-te a tomar o teu chá com a fatia de bolo rei na mão e, principalmente, faltava o teu sorriso.

Apanhei um avião à procura de memórias quando o que realmente precisava era de guardar as memórias ao teu lado!

Há 8 anos que a dita magia de Natal já não é a mesma, continuo a sentir-me uma criança, sim!
Continuo a adorar ver as ruas decoradas! Continuo a ter o sonho (e objectivo) de conhecer todos os mercados de Natal! Continuo a achar que é uma época para ser vivida em família!

Mas até ao ano passado já não sentia aquela ansiedade para que chegasse o dia 8, para começar a decorar a casa… talvez porque cresci (ou porque fui obrigada a crescer), talvez por preguiça, talvez por falta de vontade, talvez porque trabalho aos feriados, talvez por associar sempre esse dia a ti e ao brilho no teu olhar.

Mas este ano está a ser diferente, ando a contar os dias, as horas, os minutos, ando “em pulgas” para ver a reacção da Matilde e, principalmente, por querer começar as decorações com a ajuda dela. A casa nova também ajuda, é um facto.

Tenho a certeza que é algo que tu queres, que passe o espírito natalício para a tua neta, o verdadeiro, não o consumista, que eu não me deixe abater pela tristeza da tua ausência que todos
os dias me assola e que seja mais fácil viver com a tua presença espiritual…

…Honestamente, preferia a física!

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Love

C

*Enguia, utilizada no Sul de Itália num dos pratos tradicionais da época natalícia.

 

P.S.- Texto adaptado de um já escrito há 2 anos.

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