Tiago!

14 de Abril de 2020

Eram 4 da manhã quando acordei com a primeira contracção. Não lhe dei a devida atenção!
Ao contrário da irmã, já há algumas semanas que andava a sentir contracções e, para mim, esta era só mais uma. O parto induzido estava marcado para dali a 12 dias e a mala de maternidade ainda não estava pronta, apesar de já ter tudo idealizado na minha mente.
Passaram mais uns minutos, não sei bem ao certo quantos, e a contracção voltou. Mais uma vez, não lhe dei a devida atenção! Afinal, eu gosto de ter as coisas organizadas e pensadas ao mínimo detalhe e o parto não poderia ser naquele dia. Não quando ainda tinha tantas coisas para fazer e não antes de ter a certeza que estava tudo pronto para a chegada do filho mais novo.
Entretanto, enquanto inconscientemente me tentava abstrair do que estava a acontecer, adormeci!

Às 7 da manhã, acordei em sobressalto! As águas tinham rebentado e, mais uma vez, foi uma das piores dores que senti em todo o trabalho de parto.
Era real, o Tiago ia nascer às 37 semanas e, mais uma vez, apanhou-me de surpresa: que grande malandro!

Como de costume, não entrei em pânico, mas as dores das contracções eram cada vez mais fortes e eu não lido muito bem com a dor. Precisava de aliviar as dores, precisava de ir para o hospital, precisava da epidural.
Entre gemidos, curvada e cheia de dores, fui-me lembrando da lista de afazeres: chamar o marido, chamar a minha irmã, ligar ao meu obstetra, ligar aos meus sogros e…preparar a mala. A minha e a dele!
A minha irmã ajudou-me a tomar um duche! A água quente a escorrer pelas costas acalmou as dores, mas também ajudou à dilatação, que vim posteriormente a saber ter sido toda feita em casa. Não queria sair da banheira, não queria sentir-me outra vez vulnerável face àquelas dores, mas, depois de quase uma hora e depois de o meu obstetra ter ligado pela terceira vez para saber de mim, fui mesmo obrigada a fazê-lo.

Eram 9 da manhã quando saímos de casa. Eu, de cócoras no banco de trás, pois não me conseguia sentar, tais eram as dores. Só queria chegar ao hospital e, mais importante ainda, só queria que me dessem a epidural.

Chegámos ao Hospital da Luz em 15 minutos e o meu obstetra estava à porta, à minha espera. A primeira coisa que peço: a epidural! Depois de o médico me ver, sou reencaminhada para o bloco de partos. A enfermeira corre pelos corredores do hospital comigo na cadeira de rodas, e atrás vêm o obstetra e o anestesista.
Pelo meio, e já dentro do bloco de partos, foram dizendo algumas piadas para me acalmarem. O anestesista, ao ver a minha incapacidade perante a dor, contorceu-se todo para me dar a epidural. Aquela equipa foi incansável na forma como me tratou e estarei eternamente grata àquelas pessoas.
A epidural começou imediatamente a fazer efeito, e a partir daí passou a estar tudo bem! O marido chega entretanto, e o obstetra pede-me para colaborar com ele.

Eram 9:41 da manhã quando o vimos! Encostam-no primeiro ao meu peito e logo depois sentimos o seu choro.
É inacreditável a sensação que o primeiro choro de um recém-nascido nos dá. É um sinal de esperança, de renascimento, de futuro.
O nosso futuro tinha acabado de ficar mais risonho, o amor gera amor e nós tínhamos acabado de receber o nosso segundo acto de amor.
O Tiago nasceu às 9:41 da manhã do dia 14 de Abril (dia do aniversário do pai) no Hospital da Luz, em Lisboa, com 2.710 kgs e 46 cms.

Obrigada a todos pelas vossas mensagens e carinho!

Caso queiram, podem ler o relato do parto da Matilde aqui.

Love

C

Deixe uma resposta