What’s up mum?

Como vai a vida por essas bandas?

Nós cá andamos, sempre os mesmos nos mesmos sítios. A M, a nossa artista, continua a estudar, agora já tem a carta e já se aventura pelas estradas… Quando o pai sossega o coração e a deixa conduzir ahahah

Eles acabaram de voltar das férias. Viram a avó, dizem que está bem apesar de estar mais magra. O pior são mesmo as saudades. Este maldito sentimento que tão bem conhece quem tem que viver longe dos que lhe são mais queridos…

Continuando, horas antes do pai e da M terem ido de férias, a tua filha mais nova teve a brilhante ideia de se atirar* para a frente de um carro, sabias? Claro que sabias! Só podias lá estar… nosso anjo da guarda!

Não é a primeira vez que penso nisso. Que lá onde estás, nos andas a controlar para ver se nos portamos bem e se andamos a ser bem tratadas. Não sei se chegaste a ver o pai nessa noite. Coitado, estava tão desnorteado, tão mas tão perdido, que automaticamente me lembrei daquelas fatídicas noites de há 6 anos atrás.

Claro, o caso não era nem de perto nem de longe parecido, mas a ideia de perder outra das suas meninas apertou-lhe o coração mais uma vez. Mas tudo está bem quando acaba bem e horas depois, depois de todos os exames efectuados e validação médica, lá foram eles para a terra de sabura. A M foi coxa e mal lá chegou esbarrou-se contra a porta de um autocarro (pormenores!).

Bom mãe… também deves saber que estou grávida! Já de 4 meses e meio! Como é? Tenho demasiadas dúvidas…a quem vou perguntar agora?

Fazes-me falta…sempre fizeste, mas agora mais que nunca. Há tanta coisa para partilhar, tantas dicas que podias dar.  Também tiveste diabetes gestacional? É que dizem que pode ser genético e eu nasci uma bebé bem grandinha ahahah

Enfim, às vezes dou por mim a pensar em ti e o meu mundo pára por breves instantes. Tantas memórias, tantas conversas, tantas birras de adolescente que aturaste, tanta coisa que foi e já não volta.

A lágrima cai quase sempre. Tímida e envergonhada, como se não estivesse no seu pleno direito de aparecer e a maior parte das vezes é só isso que basta, que apareça. Um choro escondido no silêncio da solidão, pequenas lágrimas a rolar pela face. A verdade é que não é fácil carregar esta tristeza diária enraizada no peito.

São 6 anos mãe…6 anos que tento acreditar que estás num sítio melhor a olhar por nós! E tu sabes o quanto é difícil para mim acreditar em teorias sem factos comprovados. Acreditar em algo que não é palpável, algo que não vejo. Não é fácil, nunca o foi nem nunca o será.

Por cá continuo a viver a vida, uns dias pior, outros melhor, mas tento sempre tirar o máximo de cada minuto e sempre acompanhada pelo meu sorriso e positivismo, porque se há coisa que a tua morte me ensinou foi que a vida são realmente 2 dias, logo há que aproveitar da melhor maneira.

Digam o que disserem, o tempo não cura todas as feridas. Quando alguém que amamos é arrancado da nossa vida, essa cicatriz acompanha-nos para sempre.

solidao

foto tirada na Isola Bella, Lago Maggiore, Itália

 Love

C.

*atenção a M não se tentou suicidar, foi mesmo atropelada 😉

Deixe uma resposta